Em uma daquelas praças de um lugar qualquer, havia uma menina sentada num balanço olhando o céu e pensando como seria maravilhoso juntar-se a ele. Seu coração apertava muito e seus olhos enxergavam o mundo todo...
- Hey, o que você está fazendo?
- Estou brincando com o balanço, não está vendo?
- Sim estou. Mas você parece estar tão... triste.
- Todos os textos desse lugar são sobre coisas tristes, não percebeu?
- Somos personagens, temos que seguir o roteiro. Vamos, os leitores querem saber no que você estava pensando.
- Por que ligariam? O mundo deles é tão perfeito quanto o seu.
- O meu mundo não é perfeito.
- Ora, você ganha tudo, tem tudo, consegue tudo. E eu? Eu só fico com os pedaços que você joga no chão. Deixe-me pelo menos brincar com o balanço em paz. É pedir muito?
- Mas ganhar tudo não é tão legal. Eu não conquisto nada. Só recebo as coisas, sem lutar. Tudo que tenho foi conquistado por outros.
- Se eles te deram coisas é porque te amam.
- É porque me obedecem.
- Pelo menos ouvem você. A mim... Há, não recebo nada. Nem as coisas que lutei para ter eu consegui alcançar... Ai!
E a menina continuou a brincar com o balanço. Ela ainda olhava o céu, as nuvens, ouvia o som dos pássaros... Seus olhos estavam fechados agora. Sentia uma pontada...e sua amiga, Millena, a observava sem conseguir fazer nada, afinal, nunca lutou para conseguir alguma coisa. Quando ficava triste, eram os outros que vinham ajudá-la. Nunca ligou muito pro mundo em sua volta. Nesse instante, o que poderia fazer?
- Ora, fala o que aconteceu. Com certeza aconteceu alguma coisa para você ficar assim... mal.
A garota parou de balançar e olhou para Millena com um olhar desafiador.
- E como você me ajudaria?
- Preciso saber o que é primeiro.
- Você só está curiosa. Vai tentar me ajudar mas só porque quer saber o que é. Não vou contar, pelo menos alguma coisa você tem que deixar de ganhar.
- Estou falando que quero te ajudar! No que estava pensando?
- Desculpe, duvido da sua bondade. Prefiro ficar sozinha. Eu quero ficar sozinha. Você nunca leu sobre balanços? Então, é o que eu estava fazendo, brincando com um.
- Mas eu tive que vir aqui, porque o roteiro...
- Você veio tirar suas dúvidas! "Os leitores querem saber no que você estava pensando", isso não é verdade. O texto só estava começando! É você que quer saber. Se intrometeu na história e nem deixou o narrador terminar a descrição! O roteiro não falava nada sobre você! Não até agora... Ai!
- Que mal agradecida! Eu só quis ajudar.
- Ajudar a si mesma. Eu era a personagem principal! A história era sobre mim e sobre meus pensamentos, minhas dores, minhas tristezas. Você nem foi chamada pelo narrador! Não teve nem um verbo chamando sua oração! E olha no que deu... Você tem até um nome.
- Se quiser, eu te dou um nome.
- Quer ser a heroína da história? Bom, conseguiu. Porque você é a dama boazinha ignorada pela bruxa. Eu não vou ficar aqui, sendo bajulada. Não por você. Se fosse qualquer outra pessoa, se fosse... Ai!
- Se fosse quem?
- Há, "Millena", você não leu o roteiro? Você não sabe de tudo? Então.
- Se eu soubesse, eu não perguntaria.
- Se você soubesse já teria ganho o que queria, e é por isso que não perguntaria. Você está seguindo o seu roteiro, e não o do narrador.
- Quer que eu te deixe sozinha?
- Pode ir embora se quiser. Ele já se desinteressou sobre a minha história. Não quer mais saber o que aconteceu comigo. Nem em que eu estava pensan... Ai!
- Desculpe.
A garota suspirou.
- Ah, "Millena", porque foi tão impaciente? Queria atenção? Ia ter uma história apenas sobre você, só que a minha foi a feita primeiro, só isso. Por que estragou tudo? Por que não deixou ele contar a história?
Millena começou a olhar para o chão, em seu rosto havia uma longa marca de sorriso, com um olhar sarcástico. Virou-se e começou a andar, deixando a menina brincar no balanço, sozinha.
- Desculpe, é que falar sobre uma doente não tem a menor graça.
No parque, a garota ainda possuía seus olhos tristes voltados ao céu, e seu coração apertava muito mais. Nossa, como havia se estressado! E apertava, e apertava com muito mais força. Cada vez mais forte. Cada vez mais...
-Ai!
E antes que o narrador soubesse o que aconteceu, seu corpo já havia caído do balanço.
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Escrito por: Elizabeth.
Mas vocês sabem o que acontece, certo?
texto referência: O Balanço
uaaaaaaaaaaaaaau, isso tá mto legaaal!!
ResponderExcluirOoooh, está lindo!! ;____; Acho que é o meu favorito!! <3
Belo trabalho, clap clap clap clap clap!
Nossa... terrivelmente triste! Mas muito muito bom!
ResponderExcluirValeu por uma gotinha a mais de depressão no meu dia! XP (e sim, isso é um elogio!!)
Ivan
JESS:
ResponderExcluirow yeah, que bom que gostou!!!
IVAN:
eh, transmitir sentimentos é o meu foco! sejam eles ruins ou bons...
obrigada, o meu esforço é para vocês.
ResponderExcluirhaha! siim beeth! ficou muito loucoo! xD liked!
ResponderExcluirtriste triste mas veeery nice! =]
Mater,
ResponderExcluirLisonjeia-me a citação. É um regozijo saber que participei da confecção de sua expressão artístico-filosófica.
Devo-lhe, ademais, o adendo de que a lugubridade final foi solução deveras melhor do que o famigerado sofrimento amoroso, como a priori havíamos imaginado.
Continuo com minha recalcitrância em relação a discursos excessivamente diretos, como já expressara no contexto de seu primeiro pedido à colaboração, embora deva admitir que suas habilidades nesse tipo de composição superam quaisquer expectativas.
Orgulha-me carregar seus genes imaginários! :D
Parabéns por isso,
E.R.
*o comentário está no lugar errado*
ResponderExcluiroohhh!!! *O* adorei seu comentário, querido filhote!!!
isso me animou, foco feliz em saber que mesmo sendo um gênero com apenas discursos diretos lhe agradou!!!!
Uau, por algum motivo esse texto me pareceu diferente dos outros, senti mais "raiva" do que "tristeza" no texto, embora, todos sabem qual é o verdadeiro foco, e não vamos discutir senão a garota do balanço bate na gente TT__TT (Não consigo deixar algo muito sério sem fazer alguma graça... Eu tenho problemas \o\)
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