O pior homem de todos.

Era muito comum as crianças se aproximarem, "eu quero um, tio", sorrindo de orelha a orelha com os olhos brilhando. As mães geralmente censuravam com um "você não vai usar" ou "para que você quer uma coisa dessas?", inúmeras foram as vezes que as birras e os choros iam embora de mãos vazias.

Todos os sábados, lá estava ele, sentado no meio da feira. Tão barulhenta... Tão movimentada... Apesar daquela agitação o incomodar, aguentava vendendo seu produto para sobreviver. Não vendia muito, e assim que a feira acabava às 14 horas voltava para casa.

Andava devagar... Mas o saco na qual suas mercadorias eram carregadas era extremamente leve, o seu olhar pesado que o fazia rastejar. A visão cinza do mundo, a visão borrada, a visão torta. Tudo parecia tão errado... Não merecia aquela vida pacata, incerta.

O saco estava cheio. Sim... Com certeza estava. Preenchido de esperança, lotado de impaciência, repleto de sorrisos, pleno de insatisfação... Mas o saco que o fazia viver... Só de pensar o homem estremecia. O que fará quando perder a casa? Para onde caminhará aos sábados? Se as mães dos pequenos não compravam agora... E se ele se tornar um mendigo?

Seu passo pesava mais uma vez. Andar com as próprias pernas era tão difícil... Chegava ao ponto de usar a brisa do dia para se locomover. O vento o levava até sua casa. "Obrigado", agradecia, "espero sua ajuda semana que vem." E no sábado seguinte, o homem era levado pelo vento até a feira.

Uma cena peculiar e muito engraçada. Ele conversava com o vento que respondia com assobios. O vento era sua alegria daquela vida cinza... Para muitos, o homem era louco! Onde já se viu conversar com o ar? Ele não ligava, não abriria a mão de um grande amigo.

O valioso vento! O único que ouvia suas reclamações, sem nunca se incomodar, sem nunca parecer se incomodar. Até quando o vento anunciava chuva, o homem sorria dizendo, "Obrigado por avisar. Graças a você voltarei para casa seco.", e com seu grande saco voltava para casa sendo levado pelo vento.

E mesmo com esse grande amigo, o homem continuava infeliz não por viver na iminência da pobreza mas pela sua condição ser injusta. Sentia-se inconformado! Não fazia sentido não conseguir emprego! Queria sobreviver e ninguém queria ajudá-lo. Faria qualquer coisa, qualquer coisa, mas as portas do mercado sempre estavam fechadas.

"Oh vento, tanto tentei e nada consegui...", e o magnífico homem desabafava. Aquele homem, tão bom, sorria para as crianças que queriam ajudá-lo. O homem cansado da vida turva que tinha, incompreensível. O que teria feito? Não havia conflitos com ninguém! Não brigava com ninguém! A única coisa que achava menosprezar era a vida que tinha.

E por um instante todo seu raciocínio foi quebrado quando um pequeno, sorrindo, aproximou-se. "Tio, eu quero um... cata-vento."

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Escrito por: Elizabeth

E me digam, o que vocês acham dele?
Erros gramaticais, estou disposta a arrumá-los.

4 comentários:

  1. Que cara legal! Realmente uma boa pessoa... Como é triste que as pessoas não valorizem o seu produto, tão mágico e bonito...
    Me lembrou de um dia desse ano que eu saí com a minha mãe e fiquei insistindo que queria um cata-vento rosa e brilhante que vi. "Brilhante" não faz jus à sua beleza, ele é translúcido! *0* Está lá no meu quarto <3
    Ah, adoro o encanto dos seus textos!!

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  2. uashahuahsuahsuahua
    cata-vento... não acredito que este homem seje realmente bom... Bom, não era a real intenção, mas se você compreendeu assim, nada possofazer 8D

    Isso significa que tenho muito a melhorar ^w^

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  3. Beth, você realmente é uma pessoa interessante e seus pensamentos brotam de uma
    grande caixa de surpresas.
    Não sei se eu é que viajei mas pensei ter visto o título desta postagem anteriormente como "O homem bom", você teria mudado?
    Achei muito profundo e interessante, muito poético o falar com o vento.
    Fiquei instigada a entender por que este homem seria magnífico, por que seria um homem bom e o pior na sua concepção? Seria por ele não se respeitar, não valorizar-se?
    Dá uma boa conversa, numa mesa de barzinho regada a muito suco de frutas!

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  4. Ah sim, você tem toda a razão, o título era "o homem bom" mas mudei de ideia...
    queria reescrever o texto, ele não chegou onde queria que chegasse ;~;

    muito obrigada pelos elogios 8D e quando eu reescrever, talvez você entenda o que há por trás ^^

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