O céu limpo, todo azul clarinho, com um único ponto branco, o Sol. Era um daqueles lugares altos com grama verde e sem árvores que ela sentava. O vento batia em seu cabelo loiro, nem comprido e nem curto, de forma que seu rosto estava livre para receber o brilho do dia. Queria abraçar toda aquela sensação magnífica. Com os braços abertos, inspirava fundo, e de olhos fechados lembrava do pingente em seu peito.
Foi um presente de quem mesmo? Fazia tanto tempo... Ah, não importava. Sabia que se lembrasse estragaria aquele momento perfeito. Como era esse pingente? Circular com uma flor seca rosa bem no centro, não há problemas em recordar; a forma não possuía valor comparado com os sentimentos que ele guardava.
Um dia magnífico. Por que não poderia ser eterno? É a memória que corrói a felicidade, certo? Pois é, o brilho do Sol não conseguia ofuscar as histórias que o tempo reservou, mas tinha força para aliviar a angústia. O lugar era tão claro, quentinho e extremamente aconchegante.
O lugar que não era colina. Como o encontrou? Ela estava fugindo de suas memórias e fatalmente se viu lá. Tão longe de casa, como conseguiu andar tanto? Foi o desespero da fuga que a espantou da dor. Dor do quê? Precisa responder? Era o pingente? Não, era a lembrança com o pingente, a lembrança que o pingente trazia, não o objeto.
Engraçado. A cabeça das pessoas é incontrolável. Machuca, incomoda, e mesmo assim os momentos indesejáveis da vida aparecem na mente e torturam sem dó. Ela não queria lembrar mas os fatos apareciam diante dos seus olhos como um vídeo rápido mas muito claro.
Uma pessoa, sorrisos, carinhos, abraços, brigas, arrependimentos, declarações, surpresas, festas, o presente e em um instante o sumiço. Ligações, ameaças, sustos, medo, torturas, sussurros, o tiro. Sangue espalhando por todos os lados sem haver nenhuma despedida, e o atirador que rindo ameaçava:
-Você é a próxima, meu bem. Sabe o que eu quero.
- Cale a boca! - como uma uma louca, a menina gritou para ninguém. Agora seus braços envolviam suas orelhas como se pedissem silêncio naquele lugar onde só o vento assobiava.
Em forma de concha, ela fazia uma cara amarga, sabia que se esquecesse, logo seria preenchida pelos sentimentos indesejados e estava apavorada. Foi há um tempo que tudo começou então tinha bagagem suficiente para ficar perturbada. Mas só naquele dia ensolarado que decidiu fugir. Só naquele dia.
Pouco a pouco a menina desfazia a concha.
-Chega... - seus olhos estavam umedecidos. Impressionante como ainda saiam lágrimas de seus olhos.
E sobre aquele lugar alto que não era colina, a menina retirou o pingente; segurou em sua mão esquerda; ficou de pé; abriu seus braços e pulou o mais longe que conseguiu... imaginando que poderia voar...
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Escrito por: Elizabeth
Meu estilo de escrita é sempre o mesmo... :/
O pior é que não sei como mudar isso.
Ao meu amigo Ivan, que deu o tema desse conto...
O___________________________O
ResponderExcluirQuero saber a história inteira dessa menina!! >___<
ResponderExcluirEu adorei! A carinha foi pq fiquei chocada... Ooooh yeeeah. Da hora!!
ResponderExcluirEeeee, eu quero eu quero!
O conto não conseguiu explicar o que aconteceu com ela?
ResponderExcluirwoow! intrigante ! mas pq sera? que a nossa mente é tão "assim"?
ResponderExcluirNossa!! Em minha homenagem?!!! =O
ResponderExcluirTo tentando sacar ainda qual das nossas conversas deu o tema, mas eu acho que sei de onde veio a inspiração. (hehehe)
Mais uma vez está excelente! Adoro ler o que vc escreve!
Parabéns, mocinha!
cheguei a conclusão de que seus contos são iguais aos seus traços de desenho: delicados, redondinhos e agradáveis :)
ResponderExcluirO final do texto ficou muito foda.
ResponderExcluirshauhsuahushasa
Sério, naum esperava isso XD
L!
ResponderExcluiro que seria um conto "redondinho" ???
Kyo-kaa
weee, que bom que foi surpreendente ^^
é que na minha cabeça já sabia o fim e, portanto, era muito óbvil :/