Série Sonhos - Cap01 - Realidade

O meu rosto simplesmente estava encharcado e minhas bochechas doíam de tão inchadas que estavam. O ar não entrava nos meus pulmões e o meu peito apertava. Quando levei minhas mão tremulas até o meu rosto, fechei meus olhos e não soube mais o que aconteceu. Era apenas escuridão e silêncio.

"Que estranho", foi o que eu pensei assim que eu abri os olhos e vi o teto. Rapidamente toquei o meu rosto e notei que não estava molhado ou inchado, mas o peito ainda doía um pouco. "Ainda bem, está intacto". Respirei fundo. Sentei na cama. Espreguicei.

Olhei em volta e vi um quarto escuro, iluminado apenas com os raios que passavam pela porta da janela. O quarto possuía uma cama, uma escrivaninha e o armário que ficava num canto oposto a cama. Já esta, ficava num canto ao lado da janela, do outro lado ficava uma escrivaninha com um lindo reloginho em cima.

"Ah, 8 horas, estou atrasada!", lentamente fui até o armário e com esforço girei a chave para abrir a porta. Nossa, como estava cansada. Dentro havia diversos tamanhos de roupas e apenas uma combinação possível: saia e regata brancas.

- Onde está o espelho?

Olhei para a porta do armário; vasculhei com o olhar as quatro paredes brancas e procurei em baixo da cama. Ele não estava em lugar nenhum.

- Tenho certeza de que tenho um espelho - Bom... eu tinha pelo menos.

Vesti a única combinação que cabia confortavelmente em mim e, deprimida, suspirei fundo, fechei o armário, voltei para a cama e fui abrir a janela. A porta dela é tão bonita... Diferente do quarto, ela é de um rosinha bem sutil, base retangular na qual o topo formava um arco. A porta abria para fora como nas casinhas antigas. Minhas mãos estavam nas maçanetas que possuíam um adorno muito delicado...

"Ah!", meu coração disparou, havia uma cabeça de um senhor com barba branca e chapéu púrpura apoiada na janela que me olhava fixamente.

- O que pensa que está fazendo, seu velho tarado!

- Andava por aí, notei esta belíssima janela com essas portas extremamente peculiares e resolvi observá-la atenciosamente. Até que uma garota louca tirou-a do meu campo de visão e começou a berrar calúnias! Portanto, eu é que pergunto: o que você pensa que está fazendo?

- Desculpa, o senhor não precisa ficar tão bravo, eu só me assustei. É que eu estava procurando o meu espelho e queria um pouco mais de luz.

- E por que a garota louca quer um espelho?

- Oras, eu quero me ver.

- A garota louca nunca se viu antes?

- Mas é claro que sim... Só que não com esta roupa.

- E qual a diferença dessa roupa com as outras?

- Oras, cada uma tem um estilo diferente, eu quero saber se esta roupa combina comigo.

- Mas você só tem esse tipo de roupa.

- Como o senhor...

- Para que se vestir bem? - agora ele me olhava nos olhos muito mais sério que antes.

- O senhor está me assus...

- Para que se vestir bem?

- Eu só queria me sentir bonita.

- Uma roupa não te fará mais bonita, só a impressão de.

- Está tentando me dar uma lição de moral?

- Estou falando a verdade.

- Quer dizer que eu sou feia?

- Quer dizer que você nunca se viu antes, garota louca.

Não sabia o que responder. Estava assustada e não fazia sentido as coisas que ele falava.

- Para que mesmo você quer aparentar beleza tão cedo?

- Ah, é que eu estou atrasada.

- Atrasada?

- É são 8 horas e preciso estar no... no... na...

- Que garota louca, atrasada para que se você nem tem como sair daqui?

Fiquei em choque. Por impulso me virei e rapidamente vasculhei o quarto com o olhar. Não havia portas de saída. Voltei-me para a janela e o velho já não estava mais lá.

"Devo estar mesmo louca", pensei.

Sentei na janela e olhei para baixo. Eu não fazia ideia daquilo, estava em um andar muito alto, não era possível ver o chão...

"Como o velho estava aqui?", pensei.

Antes que pudesse pensar em uma resposta olhei para o lado e, não muito longe de mim, havia uma outra janela com uma pequena sacada. Lá estava um moço de pé, olhando o horizonte. Ele usava camisa e calças brancas e tomava algo como café ou chá. Era alto, magro, cabelos ondulados, curto de cor dourado escuro.

- Ah você... - sussurrei encantada.

Queria me levantar para falar com ele. Segurei em um dos cantos da parede, coloquei os pés onde estava sentada e cuidadosamente fui tentando me levantar. Sorria para ele e estava prestes a falar quando minha mão escorregou e meu pé deu um passo em falso.

A última lembrança é de um lindo rosto virando-se para mim enquanto me afastava.

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Escrito por: Elizabeth Yukie Eguti
Agradecimentos a: Regiane Akemi, por me ajudar a escrever a história e me dar conselhos.

A volta de textos longos? Talvez, depende da minha criatividade. A sorte é que eu sei mais ou menos como a história vai caminhar mas o azar é que eu não faço ideia de como escrevê-la, hahaha!!!!

Erros ortográficos? Falem aew, sem medo. Corrijo na hora!

2 comentários:

  1. Eliza, você tem o dom de passar bem o que você queria para as pessoas! Até para eu que não presto muito atenção no que leio consigo imaginar as cenas e sentir como se estivesse lá!

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